Mães que pilotam

Elas conciliam a maternidade com o amor pelas motos lugares nos gates de largada

Mães que pilotam
Foto: Internet Divulgação






É comum vê-las nos bastidores, mas torcer por elas dentro das pistas ou nas trilhas é muito melhor. A palavra “mãe” é carregada de sentimentos como amor, ternura, cuidado e tudo que representa a doação incondicional aos filhos. Isso é verdade, mas o termo também pode traduzir mulheres fortes, que vivem a maternidade sem deixar de lado o que mais amam fazer: pilotar. Algumas vezes elas conseguem unir as duas coisas.

É o caso da goiana Gleicy das Neves, 40 anos. Ela deu a largada na vida como pilota em 2017 para acompanhar os filhos, que já tinham iniciado na prática em 2015. “Na época eles precisavam praticar um esporte para desenvolver a concentração”, fala a pilota sobre os filhos Paulo Ricardo e Athos Paulo, com 9 e 6 anos na época, respectivamente. “Sempre fui apaixonada pela liberdade que as motos proporcionam, mas foi através dos meus filhos que conheci o motocross na prática”.

Em 2017 Gleicy se consagrou vice-campeã do Campeonato Goiano de Motocross. “Eu sempre tive apoio das pessoas à minha volta. Dos meus filhos então, nem se fala. Com o esporte eu me posicionava diante deles invertendo os papéis, ao invés de eu, como mãe, ensiná-los, eu me sentava diante deles e dizia: vocês me ensinam? E logo estará vindo mais uma piloto. Minha filha Paula Vitória [7] já declara paixão pelo esporte. O Motocross tem uma representatividade muito grande em minha família”, diz emocionada a pilota que também é vice-campeã de cross country.

Quem também começou a pilotar vendo a filha em cima da moto foi Helida Silva, 35 anos. Ela é natural de Palmeiras de Goiás (GO), mãe de Sarah Raquel, 17 anos, bicampeã de motocross e campeã de velocross no Estado de Goiás, que também se destacou nas provas do BRMX 2020. Alguns anos após começar a praticar a modalidade, no início da adolescência, a filha a chamou para ser sua parceira nos treinos. “Ela viu a paixão que eu tinha e me convenceu. Eu conheci a modalidade um pouco antes do meu casamento, pois meu marido corria”.

Ela não hesitou e logo começou a integrar os gates do campeonato estadual. Correu algumas etapas ao lado da filha e até já subiu no pódio com ela. “Corria mas com um receio, pois sendo mãe eu pensava ‘se eu me machucar, como é que vou cuidar das minhas filhas?". Meu sonho é voltar correr ao lado dela [Sarah], agora elas já estão maiores. Até lá vou realizando meu sonho através dela, porque isso é ser mãe. Eu brinco com ela, falo "filha, ainda vamos correr juntas e disputar um título”, brinca. Elida também é mãe de Samira Raira, de 14 anos.

 

Sabrina adotou novas paixões

Sabrina Katana, 38 anos, é um nome conhecido no off-road brasileiro. A mineirinha corre profissionalmente desde os 12 anos e aos 32 começou a colecionar títulos. Ela é hexacampeã mineira de Enduro de Regularidade, levantou cinco vezes o troféu no Enduro da Independência, duas vezes no Cerapió e duas vezes no Ibitipoca. Destemida, Sabrina sempre correu entre homens e mulheres e nunca se intimidou por isso.

Há seis anos ela realizou outro sonho: o de ser mãe. Seus filhos Samuel, 6 anos, e Mel, 4 anos, até já foram vistos no pódio ao lado da mãe. Hoje ela não pilota mais de forma profissional, mas quem pensa que isso foi uma desistência se enganou. Sabrina hoje tem o Enduro de Regularidade como hobby e ainda se aventura como ciclista por aí.

“Sou muito feliz e realizada no meio em que cresci e vivi, minha paixão por moto e bike vem do meu pai e hoje passo isso para meus filhos que trilharão um lindo caminho. Esporte é saúde, é vida e as duas rodas correm no sangue da nossa família”, se orgulha.

 

Crédito: Confederação Brasileira de Motociclismo