Laquila na contramão do mercado

Empresa abastece estoques enquanto mercado brasileiro enfrenta falta de insumos e matérias-primas

Laquila na contramão do mercado
Foto: Laquila Divulgação






A Laquila, líder do mercado de motopeças da América Latina, recebeu 1 milhão de peças no mês de novembro. A entrega dos materiais e os estoques cheios vão na contramão da realidade enfrentada pelo mercado brasileiro nos últimos meses, que enfrenta escassez de insumos e matéria-prima. O reabastecimento de distribuidores, lojistas e parceiros ocorre após pedidos realizados para fornecedores no mês de março, quando a companhia resolveu investir pensando em uma possível demanda reprimida causada pela pandemia.

“No auge das incertezas da pandemia, em março, fizemos um comitê, decidimos apostar que haveria uma demanda reprimida e optamos por comprar mais do que estávamos habituados de nossos fornecedores”, conta a gerente de Suporte Comercial, Iael Trosman. Entre os materiais entregues nos portos brasileiros, estão motopeças de variados tipos, mas com uma atenção especial ao motor, visando abastecer lojistas, distribuidoras, mecânicas e o piloto.

A aposta feita pela Laquila foi certeira, conforme mostra pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) de outubro. Do total de 1.855 empresas consultadas, 68% delas relataram dificuldades em obter insumos ou matérias-primas no mercado doméstico e 56% sofreram com fornecedores estrangeiros. Quase a metade das empresas (47%) afirma que a principal dificuldade para não atender clientes é a falta de estoque – outros 41% alegam demanda maior do que a capacidade de produção atual.

De acordo com Iael, as indústrias estão vivendo dificuldades atualmente pelo fato de muitas plantas terem diminuído – ou até mesmo interrompido – suas produções. “Não se trata de um processo simples e rápido colocar uma fábrica para voltar a operar a plena capacidade. Olhando hoje, nosso planejamento faz total sentido, mas não era uma opção fácil lá atrás. Nosso raciocínio foi pedir a mais do que precisamos, conhecendo bem a realidade do mercado e em uma aposta do quanto poderíamos crescer”, explica Iael. 

Contornando atrasos e dificuldades

Os produtos recebidos em novembro estão levando mais tempo do que de costume. Em média, a previsão é para entrega em seis meses, mas, neste caso, foram dois meses a mais. Uma das dificuldades está nos portos brasileiros que, no momento, estão mais focados em exportar do que importar. A balança comercial brasileira é prova disso, registrando 5,473 bilhões de superávit em outubro, o segundo melhor resultado desde o início da série histórica, em 1989.

Em outubro, as exportações somaram US$ 17,855 bilhões, enquanto as importações foram de US$ 12,383 bilhões, de acordo com dados do Ministério da Economia. “Todo o processo de importação foi mais complexo, desde a disponibilidade de navios, passando pelos aspectos burocráticos e pela estrutura portuária do Brasil”, conta Iael.

 

Por que falta matéria-prima e insumos

A sondagem realizada pela CNI esclarece a situação vivida pelo mercado brasileiro. Com a forte contração da demanda nos primeiros meses da pandemia, muitas companhias optaram por uma redução no nível de estoques, mobilizando recursos para outros compromissos financeiros de curto prazo. “Como a venda de produtos em estoque era supostamente eficiente para atender a baixa demanda, o empresário evitava o custo de aumentar a produção e arriscar nova alta dos estoques”, diz o estudo da CNI.

Com a recuperação “vigorosa dos meses seguintes”, a indústria se viu diante do descompasso entre a oferta e a demanda. “As cadeias produtivas estavam desmobilizadas; produtores e fornecedores de insumos contavam com poucos produtos em estoque. Isso gerou escassez e aumento dos preços de insumos neste período de retomada econômica. Adiciona-se a esse choque a desvalorização do real”, segue a sondagem.

 

Crédito: Caroline Rodrigues / P+G Comunicação Integrada