Trilhando no Frio

O que fazer?

Trilhando no Frio
Por André Ramos






Matéria Publicada na Revista Pró Moto. A Revista tem duas versões - On-Road e Off-road, ambas com diversas outras matérias como esta, todas gratuitas. Deseja ter acesso? Baixe grátis, clique aqui.

No inverno, é comum que alguns deixem de ir para a trilha em razão do desconhecimento sobre o que fazer para se proteger do frio. Para saber como fazem para enfrentar esta estação, fomos conversar com alguns experts para pegar as suas dicas.

Quem pratica o motociclismo fora de estrada, muitas vezes ter de encarar aquela manhã fria, com neblina congelando a atmosfera, pode ser algo desestimulante, até porque, quanto mais aceleramos, mais amplia-se a sensação de frio em função da velocidade e, muitas vezes, não temos em nossa mala os equipamentos apropriados para nos ajudarem a ir para o meio do mato.

Mas para tentar ajudar você a não mais passar este perrengue, fomos bater um papo com gente do meio, que sabe do que está falando, para saber como fazem para encarar a friaca numa boa.

Embora muitos não gostem, há quem ache que pilotar no inverno seja um grande barato. Este é o caso de Fernandinho Silvestre, trilheiro das antigas.

“Pessoalmente adoro andar no inverno. No verão a sensação dos equipamentos, algumas vezes, acaba sendo a de um peso extra, mas no inverno cada equipamento é um conforto extra!”, empolga-se.

“Minha primeira sugestão é não procurar invenções mirabolantes, mas usar os produtos específicos e a tecnologia como aliada. A blusa de lã que ganhamos da sogra ou da mãe vai segurar a umidade do suor e depois de um tempo, vai provocar mais frio ainda. Não adianta querer improvisar. Na minha lista de inverno o primeiro equipamento é uma uma jaqueta de enduro, uma vez que tudo nela, desde a modelagem, até os tecidos e áreas de ventilação, foi pensado para a pilotagem”, orienta Fernandinho Silvestre que é adepto da segunda pele. “Gosto muito das segundas peles de bike, pois mantém o corpo seco. Em dias frios uso uma e duas camisas de off-road comuns, por isso sempre guardo aquela mais usada e a jaqueta”, explica.

Nem mesmo quando os dias estão muito gelados, ele deixa sua moto em casa: ele diz que se equipa ainda mais para não perder o rolê. Ele garante que dá resultado. “Uso a segunda pele e três camisas de moto, mais a jaqueta. Nunca passei frio com esta receita, mas não tenho dúvida que devem existir melhores mas para mim funciona. É o que gosto, pois se esquentar é só tirar as camisas e colocar nos bolsos da jaqueta. Trilha do começo ao fim garantida!”.

Jomar Grecco, segue na mesma linha que Fernandinho Silvestre.

“Normalmente, tanto no frio como no calor, costumo usar uma segunda pele por baixo da camisa de trilha e uma calça de ciclismo, acolchoada, debaixo da calça. Este tipo de equipamento eu até mesmo costumo chamar de “roupas térmicas”, pois esquentam no frio e refrigeram no calor. Para mim, são a melhor coisa, pois ajudam em qualquer situacão”, revela. “Agora, se está chovendo e ainda por cima, fazendo frio, na largada eu coloco por cima uma capa de chuva fabricada com plástico resistente. Ela protege da água e com isso, ajuda a evitar que o frio se intensifique”, complementa o capixaba.

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Seu companheiro de modalidade, Emerson Loth, o Bombadinho, acrescenta um item importantíssimo em qualquer estação do ano, mas principalmente, no inverno. “A principal dica que gostaria de dar é que se deve fazer um ótimo e lento aquecimento antes de começar a trilha, pois as chances de lesões com o corpo muito frio aumentam bastaste. Eu mesmo já passei por isso, cheguei em uma pista pra treinar e tava muito frio no dia, desci a moto e fui andar; já na terceira volta tive uma lesão de estiramento muito grave na coxa". relembra-se.

Mas ao contrário do que prega Fernandinho Silvestre, há quem encontre em materiais prosaicos, a solução para fugir do perrengue. “Eu costumo deixar dentro do carro um rolo de sacos plásticos, daqueles que a gente encontra em sumpermercados e varejões para colocar frutas dentro. Eu coloco um destes por cima das meias em cada pé e calço a bota: mantém o pé isolado da água e quentinho”, assegura Eduardo Tadashi Shiga, o Shiguinha, de São Paulo, que também é adepto das jaquetas, mas com um detalhe: “eu retiro as mangas, pois me sinto melhor assim, com mais flexibilidade para a movimentação”. Ele ainda recomenda ao piloto levar um paninho limpo dentro do bolso da jaqueta ou pochete, para limpar a lente do óculos – “evite passar as mãos sujas para não riscar” – e um par de luva reserva: “Às vezes tomamos um tombo ou precisamos desatolar a moto e isso acaba sujando as luvas de barro e isso meleca as manoplas, deixando-as escorregadias e a pilotagem vulnerável. Então, nessas horas, nada melhor que um par limpinho para colocar”, revela.

Breno Rezende, piloto de enduro de Juiz de Fora (MG), afirma que somente colcoa uma jaqueta quando está muito frio, mas que, do contrário, prefere sentir um pouco de frio no início da trilha ou prova, que ficar sentindo calor ao longo de todo o trajeto.“Eu paticularmente nao gosto de usar muita coisa para o frio pois transpiro muito, então prefiro sentir frio no início do que desidratar depois”, afirma.

Mas existe também quem tenha pele de crocodilo, cabra macho risca-faca, que garanta não usar nenhuma proteção especial para andar nos dias mais frios. Rômulo Bottrel, o Oncinha, é um destes que garante que pode estar caindo iceberg que vai pra trilha como se estivesse pilotando no Jalapão.

“Cara com relação ao frio... É treinar. Detesto andar com segunda pele e já experimentei a ‘luva de médico’ mas não achei que funciona. Pelo que eu já vivi, o jeito é calejar a pele mesmo”. Será?

Uma dica que pode ser considerada “fora da caixa” mas que ajuda bastante a enfrentar o frio é procurar manter o bom humor. Sim, isso mesmo, pois este estado da mente será o responsável por conservar o seu moral elevado num momento adverso, seja na hora de levantar-se para enfrentar o frio, seja quando este pegá-lo no meio do mato, ou mesmo num tombo (no frio, a sensação de dor costuma ser maior). Procure sempre analisar a situação pelo prisma positivo, evitando a lamentação improdutiva e o queixume que só ampliam o problema e causam desconcentração – e mais sofrimento ainda. Se estiver passando frio, os dedos duros e roxos, a boca trêmula, procure imaginar que cada trecho vencido é um trecho que o aproximará do final daquele dia e que, tendo superado, você terá uma boa história para contar.

Para encerrar, deixamos algumas dicas a mais, fruto da experiência de Fernandinho Silvestre, e testadas também por outros pilotos:

“Pernas: incluo uma calça de bike sobre as meias de off-road e duas meias no pé: uma curta com capacidade “Dry” e a de motocross sobre ela – e a calça de motocross por cima de tudo.

Mãos: aqui uso uma invenção meio estranha: uma luva cirúrgica, aquelapor enfermeiros e médicos por baixo da luva de MX.

Rosto: o nariz congela no frio, já que usamos capacetes abertos e para minimizar isso, uso um “ivanhoé” (balaclava) de material com DryFit, tipo material de segunda pele de bike. O meu eu o comprei em uma loja de moto, mas é um produto street, mas já usei de algodão e também resolveu.

Outra dicas: protetor labial, vale a pena usar. E não se esquecer de hidratar-se, afinal, não é por que a sede é menor que não continuemos a precisar tomar água. E por fim, café com conhaque ao final da trilha é sempre bem-vindo, mas já sabe: só se você não for dirigir depois, ok?

 

Matéria Publicada na Revista Pró Moto Dinâmica. A Revista tem duas versões - On-Road e Off-road, ambas com diversas outras matérias como esta, todas gratuitas. Deseja ter acesso? Baixe grátis, clique aqui.
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