Potência e muita tecnologia

Muita potência e tecnologia, as máquinas de MX estão entregando cada vez mais opções de ajustes, mas qual será o melhor modelo da categoria rainha neste momento de transformação dessas motocicletas

Potência e muita tecnologia
KX450 a melhor MX1 2020
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No mês de novembro trouxemos um grande comparativo das motos de MX2, uma categoria bastante eclética e que atende a maioria dos pilotos. Agora é a vez das não tão versáteis 450 cilindradas, motos potentes e que exigem muito do piloto, por isso, máquinas apropriadas apenas para quem já tem uma boa experiência. Assim como nas “duques”, contamos com seis modelos para este comparativo, mas somente uma delas vai levar o título. Outras talvez não fiquem felizes com o que temos a dizer, porém, em uma disputa dura como é o motocross, só os mais bem preparados alcançam o alto do pódio. Leia atentamente o que temos a dizer e escolha a sua nova 450 cilindrada, pois existe um foguete desses ideal para cada tipo de piloto! Ah, dessa vez resolvemos falar de cada uma por ordem alfabética, o resultado só vai ser visto para quem chegar até o final da matéria.

Honda CRF450R

O modelo 2020 da Honda praticamente não sofreu alterações em relação a esta temporada. Ao contrario da sua irmã menor, os engenheiros seguem apostando em um propulsor com comando de válvulas simples (UNICAM). As suspensões seguem a cargo da Showa, na verdade, as mudanças estão relacionadas exclusivamente a ECU, que foi reprogramada e ganhou três novos mapas selecionáveis pelo piloto. Além disso, agora a 450 vermelha vêm equipada com um modo de controle de tração com três níveis de controle. Quando acionados, fica nítido que a CRF muda de personalidade e isso é, sem dúvida, um dos pontos fortes do modelo.

A potência é o trunfo da CRF 450R há alguns anos e para 2020 essa segue sendo a sua principal característica. Na verdade, o modelo parece estar ainda mais rápido, contudo, o trabalho de programação dos engenheiros foi bem feito, pois a moto é razoavelmente gerenciável. Outro ponto forte do modelo como sempre é o seu chassi, já nos acostumamos a elogiar a ergonomia do modelo e ela segue sendo uma referencia no assunto. Independente do piloto e seu biotipo, todos se sentem confortável sobre a máquina vermelha. Mas com certeza são os pilotos mais rápidos e agressivos que ficam completamente a vontade na CRF, para aqueles que ainda não são profissionais, a tecnologia é a solução para deixar a Honda mais mansa e adequada através da eletrônica. A suspensão dianteira, apesar de firme, agrada a qualquer tipo de piloto.

O ponto fraco é justamente esse, apesar de poder “domesticar” a moto através da eletrônica, a Honda segue sendo uma moto muito mais voltada para pilotos profissionais. Apesar das opções tecnológicas, a 450 vermelha pode ser um tanto intimidadora para os pilotos mais velhos ou menos experientes. São 108, 4 kg para muitos cavalos, isso aliado a grande maneabilidade pode significar um exagero de moto para alguns. Como de costume a embreagem da CRF deixa a desejar, com engates nem sempre precisos e um manete pesado para uma moto 0 km. A suspensão traseira não acompanha perfeitamente as bengalas, por isso é preciso ajustá-la para que a moto “converse” adequadamente.

A Honda fez um progresso incrível com suas alterações no mapeamento, de alguma forma tornou a moto mais rápida ainda, porém, mais difícil de controlar. O modelo ainda sofre de algumas das falhas que são evidentes há anos, como a embreagem fraca, muito peso e uma disposição voltada demasiadamente para os profissionais.

Husqvarna FC 450

Podemos dizer que a aquisição da Husqvarna pela KTM foi a melhor e a pior coisa que aconteceu a marca. A FC 450 se beneficiou de algumas das melhores tecnologias do mundo das motocicletas e melhorou de várias formas possíveis da noite para o dia. Por outro lado, tornou-se parceiro da KTM e, por isso, compartilha a maioria dos componentes com a prima laranja. Contudo, o modelo 2020 representa um pequeno passo em direção à autonomia da Husqvarna criando a  sua própria identidade. A Husq, agora faz seus próprios testes para o ajuste final das suspensões e o objetivo é atrair um cliente diferente.

A 450 branca ainda tem um motor estranhamente suave em relação as rivais. Não parece ser rápido, mesmo que na pista se mostre eficiente. Para este ano, os engenheiros mexeram no que já havia se tornado uma reclamação recorrente, a falta de ventilação do motor. Sendo assim, a nova caixa de ar ganhou furos extras que fazem com que a FC respire melhor.

Com os novos mapas e o fluxo de ar aprimorado, a moto ficou nitidamente mais rápida, mas não intimidadora como a CRF, por exemplo. Quando você pilota a Husq, imediatamente percebe sua leveza e suavidade. Isso é um grande bônus em todos os sentidos, já que consegue acelerar mais rapidamente, reflete em uma melhor tração, um contorno de curva exemplar e um comportamento geral menos exigente que as rivais japonesas, a maioria das quais pesa uma porção de quilos a mais. Outros pontos a serem notados na FC são os seus excelentes freios e a embreagem hidráulica.

O chassi, porém, ainda não chegou ao ponto ideal, depois da mudança em 2019 no qual ele foi reforçado pensando nos pilotos profissionais, o comportamento foi afetado. É verdade que a configuração mais suave das suspensões para 2020 atenuaram um pouco a rigidez do quadro, mas a moto ainda se mostra demasiadamente dura. As bengalas pneumáticas WP XACT 48 é uma maravilha de simplicidade e economia de peso, mas em termos de desempenho não são páreas para algumas das suspensões de mola helicoidal que saem do Japão. 

O que podemos dizer é que as mudanças de 2019 nem todas foram acertadas, por isso a FC450 2020 deveria ter trazido mais novidades do que apenas um novo acerto de suspensão e uma nova caixa de ar. Sem dúvida estamos diante de uma  ótima motocicleta equipada com peças de altíssima qualidade, mas o mundo das 450 de cross é muito competitivo para que um fabricante possa se dar ao luxo de ficar parado por uma temporada inteira.

Kawasaki KX 450

A Kawasaki foi uma grata surpresa em 2019, quando a fabricante provou que as fabricas japonesas ainda podem fazer frente a dinâmica das rivais européias. Com importantes mudanças no propulsor que chegou com a tão esperada partida elétrica, a KX também foi a única moto de cross vinda do Japão com embreagem hidráulica, além de várias outras melhorias no conjunto. A Kawasaki também ficou com o título de a mais leve das 450 japonesas e uma das motos de motocross mais bem-sucedidas de todos os tempos. Agora, o modelo 2020 chega sem uma única mudança mecânica. Não temos certeza se isso é arrogância ou confiança!

A KX 450 é praticamente perfeita, ela concilia de maneira espetacular a estabilidade e leveza das rivais européias com o ótimo acerto de suspensões e a grande maneabilidade das conterrâneas japonesas. É uma motocicleta totalmente previsível e “educada”, seu propulsor tem mais baixa que qualquer outro da categoria, facilitando a pilotagem. As bengalas são tão boas que agradam pilotos de qualquer nível, desde o iniciante ao profissional. A embreagem hidráulica foi um tremendo acerto e a KX responde com precisão neste item, os freios apesar de não serem tão potentes como os da KTM e da Husq, são muito bons. Fora isso a KX é a única das seis motos que permite ajuste de altura das pedaleiras.

Apesar da boa potência, o motor não consegue render da mesmas forma em alta rotação, o que, para pilotos profissionais, pode ser um problema. A medida que as rotações crescem, o desempenho perde vigor e ela só não fica atrás da Suzuki perto do corte de giro. Justamente por essa característica, o piloto é obrigado a fazer mais trocas de marcha que em outras motos. Assim como as suas rivais, a KX também disponibiliza três diferentes mapas de potência, no entanto, o sistema para selecioná-los é antiquado e desajeitado se comparado com os outros modelos.

Foi uma excelente surpresa pilotar a KX 450 2019, portanto, é obvio que gostamos do praticamente idêntico modelo de 2020. A moto reuni excelentes características que fazem dela uma motocicleta eclética e que atende a grande maioria dos pilotos. O ótimo torque em baixa, a suspensão com um acerto extremamente sensível e a embreagem hidráulica fazem da KX 450 uma das melhores opções da MX1.

KTM 450SX-F

Depois de vários anos seguidos apresentando motocicletas com muitas mudanças, talvez por falta de convicção, enfim a KTM parece ter acreditado estar no caminho certo e em 2020 traz um modelo sem tantas alterações e bastante competitivo. A marca segue apostando em um cabeçote com comando de válvulas simples, assim como a embreagem de mola de diafragma acionada hidraulicamente e as bengalas WP modelo XACT 48 mm tradicionais dos modelos KTM. Depois das criticas sobre o chassi no modelo 2019, que, assim como a Husq se mostraram rígidos demais, para temporada 2020 o modelo recebeu alguns ajustes. Além disso, a KTM lidou com isso desenvolvendo novas configurações de suspensão. Em relação ao motor, um novo mapeamento e o novo sistema de caixa de ar com fluxo maior são as novidades da máquina laranja. 

Com muitos componentes de alta qualidade, é inegável que a KTM se coloca um degrau acima de suas rivais japonesas. Dos freios a embreagem, entre outros detalhes, a SX-F apresenta um nível superior que a maioria dos modelos desse comparativo. Mas na pista, seu principal patrimônio é o motor potente, porém, com uma entrega suave e efetiva. A entrega extremamente progressiva é um trunfo da KTM que também tem o conjunto mais leve da categoria; até mesmo sua prima FC 450 é meio quilo mais pesada – as outras rivais quase todas pesam cerca de 7 kg mais. Isso permite que a KTM se comporte melhor em praticamente todas as circunstâncias. Sem falar que sua geometria é bastante acertada, o que, mesclada com o peso leve, faz dela uma devoradora de curvas.

Alguns podem querer uma entrega de potência mais agressiva, mas a verdade é que menos muitas vezes é mais. A alteração do chassi em 2019 não é uma unanimidade e, mesmo com alguns ajustes para minimizar a rigidez, ele ainda está lá. De qualquer forma, A KTM têm influenciado o design moderno do motocross, tanto que parece que os fabricantes japoneses esperam para ver o que a marca vai fazer para aí sim decidir os próximos passos. 

A 450SX-F segue sendo uma motocicleta de ponta, mas este ano é uma mistura de um chassi exclusivo para profissionais e um motor voltado para os amadores.

Suzuki RM-Z450

A Suzuki é uma espécie de motocicleta vintage, e por incrível que pareça, algumas pessoas gostam dela justamente por isso. Um número crescente de saudosistas afirmam que as motos do início do século XXI são melhores que as máquinas atuais, será? Mas a verdade é que a marca reformulou a sua 450 há dois anos e nesta mudança sequer incorporou a partida elétrica ao modelo. Nesta mudança, os engenheiro optaram apenas por utilizar as bengalas Showa de molas helicoidal, fora isso, a motocicleta é praticamente a mesma desde 2008, ou seja, já são 12 anos sem uma grande novidade ou aprimoramento fino de sua máquina de MX1.

Para os otimistas, o bom disso é que você sabe exatamente o que está comprando, afinal, não há nada não testado ou experimental. O mote mais forte da Suzuki segue sendo o conjunto bem equilibrado de forma geral, no qual, o piloto consegue entrar nas curvas sem dificuldade e ainda ter um bom equilíbrio e desempenho em saltos e buracos. O propulsor é suave e tem boa potência, desde que você não seja um profissional que queira o topo do pódio. Os freios são descentes e a embreagem, apesar de não ser hidráulica, é leve. A maior vantagem de se permanecer inalterada por tanto tempo é o preço, razoavelmente menor que os da rivais.

Em contrapartida, a RM-Z é a única motocicleta deste comparativo que ainda não disponibiliza a partida elétrica. Ela ao menos poderia compensar isso de alguma maneira, como por exemplo ser mais leve que a rivais já que não tem bateria, mas nem isso. Pelo contrario, é a mais pesada, ainda que seja só por meio quilo. E ainda que a gente tenha mencionado que a Suzuki tem uma moto equilibrada, ela sequer é a melhor neste quesito. Para completar, as suspensões não conversam de forma harmoniosa,  o que prejudica o único ponto a favor da Suzuki que é o seu bom comportamento geral, enfim, já passou a hora de mudar.

Enfim, com um pouco de trabalho, a RM-Z450 pode até ser uma opção para quem ainda não tem tanta experiência, com grande investimento até profissionais podem ter algum resultado, como o time JGR vêm provando nas provas do AMA SX e MX. Mas a verdade é que a Suzuki passa uma sensação de um projeto interrompido ao meio, está bem aquém das demais.

YZ450F 

A Yamaha foi a única marca a investir de forma pesada em mudanças para a temporada 2020. Visualmente, a YZ450F pode não parecer trazer tantas alterações, mas os engenheiros trouxeram novidades na estrutura do chassi, novas peças internas no propulsor, novos freios, alem de uma longa lista de outras pequenas mudanças. Contudo, a Yamaha segue com a proposta do cilindro inverso, no qual a saída de escape para trás e o filtro de ar na parte superior (onde é o tanque das outras motos). A grande inovação por parte da marca surgiu em 2018, quando a YZ adquiriu um sistema Mikuni de injeção de combustível que incorporava conectividade Wi-Fi a qualquer smartphone. Isso permite que você altere o mapeamento facilmente na pista modificando e deixado a moto do jeito que quiser. Um interruptor no guidão permite alternar entre dois mapas em tempo real.

Para 2020, a Yamaha disponibiliza o melhor motor produzido  pela marca nesta categoria. Ele tem uma força inacreditável e é completamente gerenciável. É uma missão dificílima conciliar uma moto que agrade pilotos amadores e também profissionais, mas a YZ450F é esta máquina. A Yamaha fez um trabalho tão bom neste motor que isso tornou-se possível. Ainda que ela forneça a possibilidade de milhões de acerto, o mapa original é tão satisfatório que não sentimos a necessidade de mexer. O conjunto também merece destaque frente as rivais quando o assunto são as suspensões. Em uma categoria onde a competitividade é a palavra de ordem, as bengalas e o amortecedor Kayaba se sobre-saem. A Yamaha ainda entrega uma motocicleta altamente confiável, que é a cereja do bolo.

Mesmo com tantos elogios, a YZ ainda não é uma unanimidade pois nem todos os pilotos sentem-se confortável sobre a máquina azul. Em termos ciclísticos, a YZ é capaz de receber elogios e criticas, dependendo do tipo de tocada de cada piloto. Todos concordam quanto a sensação desta 450 parecer pesada ao contornar as curvas. Sua posição de pilotagem também é polemica, já que o assento está posicionado a uma boa diferença de altura em relação ao guidão. Os freios são bons, mas não ótimos.

A YZ450F já foi uma motocicleta controvérsia e polêmica, contudo, muitos destes detratores são obrigados a assumir que o modelo 2020 tem inegáveis pontos fortes. As antigas queixas até podem aparecer em um ou outro quesito, mas desaparecem ano a ano graças ao bom trabalho dos engenheiros azuis. O ergonomia e ciclística podem ser melhoradas, mas o motor e as suspensões da YZ são os melhores da categoria rainha.

O resultado

Por tudo o que foi falado e analisado, elegemos a KX450 como a melhor entre as seis 450 cilindradas deste teste. A Yamaha que mostrou ter o melhor motor e suspensão ficou com o segundo posto, enquanto a KTM segue firme sempre entre as melhores muito próxima das primeira colocadas com o 3º lugar e um degrau do pódio. A Husqvarna, que segue praticamente a mesma receita da sua prima laranja ficou com o 4º lugar a frente da Honda, que mostrou-se uma motocicleta incrível, mas um tanto intimidadora para os pilotos menos experientes. A lanterna ficou como não poderia deixar de ser com a Suzuki, uma moto arcaica em relação as rivais e que, caso não traga novidades nas próximas temporadas, seguirá distante da luta por vitórias.