Gasolina Pura

Gasolina Pura






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Em um país onde o combustível é tido como um dos piores do mundo, é comum que mecânicos e preparadores quebrem a cabeça para deixar o motor com um bom funcionamento. Até mesmo motocicletas que funcionam com sistema de injeção eletrônica, tiveram que passar por adaptações para se adequar às características do nosso combustível.

Nesse sentido, surgem também, muitos "especialistas" na internet ensinando diversas fórmulas e combinações, a fim de proporcionar um melhor rendimento ou performance para as nossas máquinas.

Uma dessas práticas consiste em retirar o álcool presente na gasolina e assim ter acesso a tão sonhada gasolina "pura". Mas será que é assim mesmo, basta repetir este processo e teremos o melhor dos produtos no quintal de casa?

Retirando o álcool da gasolina

Para retirar o álcool da gasolina o processo é semelhante a uma técnica caseira para saber se a mistura gasolina x álcool está dentro do permitido por lei.

Basta pegar um galão próprio para combustiveis e enche-lo de gasolina. Feito isso, deve-se acrescentar água na mistura, então o álcool irá, por afinidade molecular, desprender da gasolina e se juntar a água.

Posteriormente retira-se a mistura transparente, composta por água e álcool, deixando apenas a gasolina "pura".

Até aqui tudo certo. Realmente esse processo separa os dois combustíveis. Mas qual o papel do álcool presente na gasolina?

Segundo Maurício Alves (químico, especialista em energia, petróleo e gás): "O papel do álcool anidro (sem a presença de água) é elevar IAD (Índice Antidetonante), conhecida como Octanagem, para que não haja o comprometimento do bom funcionamento dos motores produzidos no Brasil."

Octanagem

Essa é uma palavra muito falada, porém nem sempre entendida. Para entender de forma mais completa, precisamos entender um pouco como é o funcionamento do motor, sem nos aprofundar demais, claro.

Para que o combustível tenha uma queima perfeita, gere energia e consequentemente tenha uma boa performance, ele não pode estar em estado líquido. Sendo assim, após admitido pelo cilindro o pistão irá comprimir a mistura ar/gasolina transformando-a em gás. E é aí que entra a tal octanagem ou índice de octano. Ou seja, a capacidade que ele tem de resistir, em mistura com o ar, ao aumento de pressão e de temperatura  sem detonar.

Ao ser comprimida pelo pistão, a gasolina pode sofrer uma pré ignição, gerando uma explosão dentro do cilindro antes da faísca de vela, levando ao um mal funcionamento do motor. Quanto maior o número de octano, maior a sua resistência a pressão.

A nossa gasolina comum e aditivada têm 87 octanas, já a gasolina premium geralmente conta com 91 octanas. Entretanto, o que muitos não sabem é de que a gasolina premium também contém álcool em sua mistura.  

Para Fernando Macedo (Chefe da equipe BMW de Motovelocidade) "Ao retirar o álcool da gasolina, o motor poderá trabalhar com índice antidetonante baixo, fazendo com que o motor sofra com a pré-ignição, comprometendo o rendimento e até a durabilidade do motor. Além disso, o álcool serve para oxigenar a gasolina, ajudando na combustão daquela mistura."

Na prática

Não podemos afirmar que o uso de uma gasolina sem os 27% de álcool levará a uma quebra ou a diminuição da vida útil de um motor. Afinal, qualquer combustível pode causar tais efeitos, basta que o acerto do motor, ou como diz no linguajar dos preparadores, a moto não esteja afinada para aquela mistura e possivelmente você terá problemas.

Nos motores com injeção eletrônica não há tanto problema, uma vez que sonda lambda faz uma leitura da queima deste combustível e regula automaticamente a quantidade e mistura ideal para queima perfeita. No entanto, nos carburadores este acerto deve ser feito pelo mecânico.

Mas certamente o álcool na mistura não é o vilão desta história. Maurício Alves ressalta que "Antes de você condenar o combustível, é preciso verificar no mínimo dez ítens de funcionamento. Trabalhando na indústria petrolífera eu já presenciei casos de clientes que processaram postos e no final perderam a causa, pois o problema estava em na parte mecânica. Esquecem de ver velas, bombas, filtros de combustível e ar, além de uma série de outros ítens."

Cada combustível tem a sua eficiência energética e todo motor é desenhado ou preparado para uma determinada mistura. Atualmente os motores são configurados para aceitar gasolina com 27% de álcool, número que antigamente era de 19%. Portanto o que vai garantir o bom funcionamento é o acerto do motor para o combustível.

"O recomendado para qualquer tipo de teste ou preparação é o uso de um dinamômetro. Porque nele você tem a certeza do ganho real de potência, verificado através de números." conclui Fernando Macedo.

Então se a sua moto não está funcionando perfeitamente, antes de culpar a gasolina, procure seu mecânico para fazer uma checagem de itens e afinar o acerto de sua máquina.

 

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