Expedição pela Amazônia

Encaramos uma viagem de 4 dias para cruzar o pior trecho da BR230

Expedição pela Amazônia
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Matéria Publicada na Revista Pró Moto Dinâmica. A Revista tem duas versões - On-Road e Off-road, ambas com diversas outras matérias como esta, todas gratuitas. Deseja ter acesso? Baixe grátis, clique aqui.
 
Por Gustavo Narciso
Fotos e Vídeos Gustavo Narciso

Conhecer lugares novos é o principal motivo para pegar a estrada. Mas quando se trata de um lugar único, não podemos pensar duas vezes. Sobretudo quando pensamos que esse destino poderá não ser o mesmo daqui a alguns anos. Estou falando da Amazônia; mais precisamente da Transamazônica!

O Governo Federal já anunciou a concessão do último trecho sem asfalto até o porto de Miritituba, principal porto de escoamento de grãos da região. Se realmente sair do papel, será o primeiro passo para começar uma mudança que pode significa uma mudança radical naquela região que, para uns é progresso; outros, regresso!

Quem acompanha a revista Pró Moto já acompanhou essa aventura que merece ser recontada de maneira dinâmica. Desta vez em áudio e vídeo! E para te colocar dentro desta aventura venha na minha garupa!

 

O Paraíso de Partida

 

Alter do Chão é um paraíso cercado por rios e florestas. De lá saiu nossa expedição rumo a BR-230 Transamazônica… mas tivemos um dia para conhecer o pacato vilarejo.

Esse “canto” de Santarém PA é também conhecido como o Caribe Brasileiro. Uma vila simples as margens do Rio Tapajós e com um enorme banco de areia em formato de “lança” procurado por muitos, principalmente os casais. Afinal, ali é a ilha do amor.

Após a janta ainda pudemos conhecer um pouquinho do famoso Carimbó, estilo musical de origem indígena com forte influência da cultura negra e portuguesa. O ritmo embala e alegria contagia, no entanto partiríamos cedo no dia seguinte e precisávamos dormir. A previsão era: sol, vento no rosto e quilômetros de diversão.


Pontual como o sol, às 6:00 da manhã todos prontos para o tomar um café da manhã reforçado e sair pela estrada. Logo após o briefing partimos para o primeiro trecho. O dia 1 será de 527km, sendo que até Rurópolis(207) são asfaltados.




 

Enfim… a BR!

 

Após abastecer em Rurópolis acessamos a Transamazônica. É natural que em nossas mentes, a imagem que vem é aquela retratada nos jornais. Caminhões atolados e caminhonetes serpenteando para os lados.

Não! Não foi bem assim. E eu explico! Por uma questão óbvia de segurança, o roteiro é feito durante o “verão” amazônico, época de seca.

Os primeiros 150km foram alternados entre asfalto e terra até a Balsa de Itaítuba PA.

 

A floresta é imponente e a vida ao seu redor é impactante

 

Após a balsa sobre o Rio Tapajós, foram 50 km para então ser apresentado a nós: A Floresta amazônica na maneira mais bruta que pudemos conhecer! Estávamos em uma área de preservação, são demarcações indígenas. Onde o homem não pode mexer, a floresta parece tentar retomar seu espaço. As copas das arvores chegam a se tocar. E as castanheiras se apresentam como as rainhas da floresta, gigantes e inconfundíveis aos olhares mais despercebidos.

Só neste pedaço eu arrisco dizer que muitos ficariam por mais dias, conhecendo e explorando cada pedaço desse que certamente será um local com data para deixar de existir!

Chegamos por volta das 18:00 ao Restaurante/Pousada Amigo o Garimpeiro. Local simples e de passagem, incrustado em meio a floresta. Claro, que o nome me chamou atenção.

Mais um dia amanhece e ainda teríamos mais 200km de reserva (quase) intacta e muita poeira.

E no nome do Restaurante? João Tagino explica:

O que mais chamou atenção, é como a estrada até ali era bem “conservada” pelo governo do Pará. Isso pode até soar estranho, mas pela velocidade que as caminhonetes e caminhões trafegam, eu preferiria que nem fossem tão bem cuidadas. As máquinas compactadoras deixam a estrada quase sem buracos, porém as lombas se transformam em perigos constantes para aqueles que trafegam acima da velocidade.

Uma boa parada para fotos em meio a floresta não poderia faltar. Afinal, esse era o ponto alto da viagem. Mas sem atrasos, pois esse foi o dia que cruzamos para o  estado do Amazonas. E lá o bicho pega!

 

O pior trecho

Com parada para abastecimento em Jacareacanga seguimos para o pior trecho da viagem. Eu estava ansioso! Após cruzar para o estado de Amazonas, realmente conhecemos “AQUELA” trans que todos conhecem. Estava seca, porém muito mais estreita e com buracos e valas assustadoras.

Vendo a quantidade de paus e pedras nas erosões, dava para sentir o drama que os motoristas passam nas épocas das chuvas.

Durante os kms que percorremos até a balsa do rio Sucunduri, o momento mais tranquilo foi a parada em uma pequena barraca montada debaixo de uma árvore que pelo tamanho da sombra, não era das mais novas, em frente a um pequeno sítio.

Ali pudemos tomar um delicioso caldo de cana antes de voltar para “realidade”.

Cruzamos a balsa do rio Sucunduri e depois foram mais 100km do melhor estradão da viagem. Era hora de relaxar e curtir o trajeto. Observar as casas indígenas à beira da rodovia, filosofar sobre a vida daquele povo e até presenciar uma grande pelada que rolava em um campinho lotado. É, o aumento da presença humana era um aviso que dia seguinte era o último da nossa viagem!

 

A despedida, o cansaço e a alegria!

 

O último dia, seria também o mais longo. Mas por que não dizer o mais divertido? Logo nos primeiros metros o cansaço dá lugar a uma euforia e uma sensação de dever (quase) cumprido. A estrada é razoavelmente boa e com movimento cada vez maior.

Depois de alguns quilômetros fomos presenteado com uma parada estratégica para um revigorante banho no Rio Maici. Água cristalina e na temperatura exata para o calor que enfrentamos todos os dias.

Mas como sempre acontece em viagens, nem tudo são flores. São Pedro jogou um pouco de água lá de cima também e a estrada virou um quiabo. Nada demais, porém deu uma pitada de emoção e nos fez sentir o que é a trans na época das chuvas.

Chegamos à balsa de Humaitá e de agora em diante era só asfalto. Cruzamos aquela cidade infestada por bicicletas elétricas e depois acessamos a BR319 com destino a Porto Velho. Ali foram retas intermináveis ótimas para reviver a aventura em meus pensamentos e não pude deixar de avaliar tudo que vivi:

As facilidades de fazer um trajeto longo e com um grupo tão heterogêneo só são possíveis ao ser guiado por alguém “do ramo”, como João Tagino.

Como as XRE300, praticamente originais, se comportaram bem durante os 1640km.

E o quanto vale cada segundo em cima de uma moto conhecendo lugares que jamais imaginaríamos conhecer e acima de tudo, compartilhando com outros 10 companheiros de aventura!

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