Eu vou para o Bananalama

Eu vou para o Bananalama






Por Gustavo Narciso

Fotos e Vídeos Gustavo Narciso / Rodrigo Phillips / Arquivo Pessoal

Com 1000 ingressos esgotados em menos de 24 horas, o maior encontro de trilheiros do mundo (homologado pelo guinness book), promete ser mais uma vez uma grande festa entre os apaixonados por off road. De 4 a 7 de julho os participantes contarão com inúmeras atrações. Dentre elas, shows, apresentações de Wheeling, área de exposição, sorteio de prêmios e muito mais.

Um evento desta magnitude atrai gente de todo o país e muitos até de fora dele. Com inscritos da Argentina, Paraguai, Bolívia, Chile e Brasil, O Bananalama quebra fronteiras e aproxima as nações.

Ano passado fomos convidados para este super encontro e confesso: foi uma das maiores experiências off road que já vivi. A cidade nos recebe de braços abertos e é inacreditável como todos motociclistas conseguem ocupar o menor espaço que existe entre uma moto e outra.

Este ano a Pró Moto estará novamente presente, então quis me antecipar e ir atrás dos que vão para esse evento acelerar em meio aos bananais de Corupá - SC.

 

Caçula Nativo

 

Cria do meio, meu xará Gustavo Schwerdtner estará presente. Nascido e criado em Corupá, esse pequeno trilheiro mostrou ter no sangue o espírito off road. Durante a minha primeira participação no Bananalama em 2018, saindo do neutro, cruzei com esse piá, confortavelmente acomodado no tanque de uma XR200 com seu pai gentilmente guiando para ele.

Sidnei Schwerdtner é pai de Gustavo e conta uma história curiosa sobre o filho: "Essa moto era de um funcionário meu e um dia ele ofereceu para um outro funcionário. Ele queria R$1.500,00 na moto e parcelaria em 100,00 por mês. Daí o Gustavo tinha "cem pilá" na carteira, que ele tinha ganhado em um aniversário, então ele disse: "Óh eu tenho "cem pilá"! Quer vender pra mim, eu compro!" Então ele deu os R$100,00 e nem deixou o rapaz levar mais a moto embora (risos). Quando eu voltei de viagem, ele me falou que comprou a moto. Então ele disse que iria me ajudar a descarregar as caixas de bananas vazias, para eu pagar ele e assim pagar a moto."

No mesmo ano em que compraram a moto (2017) a dupla já foi se aventurar no Bananalama. Naquele ano Gustavo ainda ia na garupa, mas de lá pra cá algumas mudanças foram feitas na moto, como a instalação de um suporte para que o pequeno trilheiro possa apoiar os pés e fique na frente acompanhando tudo durante as trilhas.

O curioso disso tudo é que Sidnei nunca andou no off road. Ele passou a ir nos trilhões por influência do filho. "Meu pai era meu piloto! Ele só andava de moto na rua. Quando nós compramos a moto, eu ensinei ele!" explica Gustavo.

E para o desespero da mãe, o irmão mais novo está seguindo o mesmo caminho e pegando umas caronas com o pai.
Atualmente Gustavo está com a sua mini-moto e garante: "Se eu estiver bem treinado eu vou (no Bananalama) com ela. Se não eu vou com meu pai, porque tem muita moto!".

 

Conexão Chile

 

Uma boa surpresa foi saber que teríamos a presença de um chileno competindo pelos UTV's. O inesperado foi saber que o número de telefone chileno, na verdade atendeu um brasileiro. Flávio Bortolini mora no Chile a 10 anos e é um apaixonado por off road.

Natural de Jaraguá do Sul, Flávio já havia participado do Bananalama e durante muito tempo comentou com os amigos chilenos sobre a importância e o tamanho do evento. "Eu falei a eles sobre o evento, sobre o encontro com amigos e com outros trilheiros. E foi crescendo o interesse. E esse ano a gente saiu um dia pra almoçar e sentado na mesa eu falei que ia para o bananalama e já tinha comprado minha passagem. Então eu falei para irmos juntos. Neste almoço Hernan Tejos, José Miguel Carillo, Nicolas Prado, Enrique Vera resolveram comprar suas passagens! Eles nem tinham avisado suas esposas (risos) e assim foi, meio que na loucura como às vezes tem que ser pra dar certo."

Os cinco amigos chegarão um dia antes do evento começar contam com motos e UTV's emprestados por amigos de Flávio. Eles optaram por ficar no camping, pela proximidade do evento e a possibilidade de curtir mais durante os dias que estarão em solo brasileiro.

"Viajar para um evento como o bananalama, para mim e para os meus amigos Chilenos é como uma criança ir para a Disney. O Chile é muito forte no off road mas não existem encontros como o Bananalama." conclui animado, Flávio Bortolini.

 

Direto para o YouTube

 

Paulistano da Zona Leste e YouTuber, André Iacovino vai realizar um sonho. Ele que começou a fazer trilha aos 14 anos e é fundador de uma das maiores equipes de trilheiros de São Paulo, Loucos por Natureza, confessa que sempre quis participar do Bananalama.

Iacovino #165 como é conhecido, começou a gravar suas trilhas em 2006 e dois anos depois estreou seu canal no YouTube. "A intenção dos vídeos sempre foi mostrar o quanto é prazeroso o nosso esporte. E nessas andanças eu conheci a Serra da Canastra, andei a pouco tempo atrás em Mariana, São Tomé das Letras, Outro Preto e uma das minhas metas era, sem dúvida, ir para o Bananalama, por ser o maior encontro de trilheiros do mundo! Eu tenho amigos que já participaram e sempre me falam que é um evento com organização cem por cento e que eu nunca vou ver tanto trilheiro como no Bananalama!"

 

Esse paulistano vai com a dupla missão de mostrar para seu público os melhores momentos do evento e se divertir em meio a tanta lama e motos.

 

Los Hermanos

 

Carlos German Pereyra é argentino e esteve no Bananalama 2018. Ainda sem saber se conseguirá vir, o trilheiro conta que garantiu a inscrição e está tentando viabilizar a sua vinda para o Brasil. Seus amigos já estão com as malas prontas esperando por ele.

Pereyra garante que não é apenas pela trilha que quer voltar, mas sim pelo evento como um todo. "Meu irmão é mais experiente no enduro. Ele disse que é uma trilha leve, mas para mim não importa. Com tantas motos isso é o planejado, se fosse mais difícil seria complicado organizar. Gosto muito de viajar e os brasileiros são muito legais. Nos convidaram para compartilhar um churrasco e cervejas. Foi uma ótima festa. Todos os argentinos voltaram para casa muito felizes e gratos." conclui.

 

Assim como essas histórias, existem muitas outras Brasil a fora. Alguém fazendo um sacrifício ou arrumando um jeito de estar no Bananalama 2019. Não é Maicon: