Dois é demais?

Qual tipo de viagem é mais seu estilo? De que forma você absorve mais o que o destino te oferece?

Dois é demais?
Dois é demais?
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Não importa o destino. Viajar de moto é sempre uma experiência fantástica. A escolha do roteiro, a preparação da moto, a estrada que você nunca tinha passado, a nova cidade, o outro idioma...

Mas o aprendizado e as experiências de uma viagem podem ser completamente diferentes se você estiver sozinho ou em grupo. A maioria dos motociclistas prefere viajar em grupo – e é natural que isso aconteça. Especialmente para quem nunca fez uma grande viagem, dá uma sensação maior de segurança. Afinal é sempre bom ter alguém por perto para tirar dúvidas, compartilhar decisões e até ajudar a levantar a moto, caso aconteça. É mais seguro porque com duas ou mais motos, você se torna mais visível na estrada e também se sente menos vulnerável, se estiver atravessando uma área ou um bairro perigoso. Viajar em grupo é uma ótima forma para um motociclista começar a se habituar com a rotina de uma viagem. Distribuir a bagagem na moto, programar o GPS, se familiarizar com os trâmites de fronteira. Executar pequenos ajustes na moto fazem parte do ritual de um motociclista, e são coisas que se adquire com a prática. Viagem em grupo é também mais econômica, pois permite que você compartilhe um quarto de hotel, um jantar ou até uma garrafa daquele vinho imperdível que o garçom recomendou. Sem dúvida, ter amigos por perto em um lugar distante é garantia de diversão e histórias para se levar para vida toda.

Mas nem tudo são flores quando viajamos em grupo. Tudo leva mais tempo. Há sempre alguém que demora demais para acordar ou deixar a moto pronta de manhã, que esqueceu de abastecer, que não sabe onde deixou as luvas. Por mais que o grupo seja formado por amigos de longa data, os interesses nunca são exatamente os mesmos. A rota, o tipo de hotel, o restaurante, as distâncias a se percorrer no dia, os intervalos de parada e descanso, tudo isso pode se tornar motivo de conflito. Já ouvi alguns casos de grandes amizades que estremeceram por conta de pequenas desavenças durante viagens.

Outro ponto é a segurança. Um motociclista menos experiente estará mais seguro ao viajar em grupo. Mas é fundamental que ele tenha um mínimo de habilidade, para não comprometer a segurança dos outros. A comunicação entre o grupo também precisa ser clara. Combinar e compreender sinais e gestos também é importante quando se pilota com mais motos por perto. E, quando viajamos em grupo, precisamos ficar atentos aos outros veículos. Um grupo com mais de cinco motos passa a ocupar um espaço considerável na estrada. Motoristas de carros e caminhões podem ficar impacientes e forçar ultrapassagens perigosas, obrigando o grupo a se dividir ou a se espremer no canto da estrada.

Mas ainda acho que uma das coisas que mais se deve levar em conta ao viajar com muita gente é que perdemos bastante a possibilidade de interação. Quanto maior o grupo, menor a chance de aproximação com outras pessoas. Ao viajar sozinho é você quem manda: em tudo! Você é quem decide a hora de parar para descansar, onde parar para fotografar, o restaurante que quer comer, onde vai dormir. Sua decisão é soberana, e isso é muito bom. Quer seguir viagem por mais 500km? Tudo bem. Gostou muito desta cidade e quer passar mais dois dias por lá, contrariando seu planejamento? Tudo bem também.

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