Ao comemorar 25 anos de participações ininterruptas no Dakar na edição deste ano da prova, a Equipe Petrobras/Lubrax voltou ao Brasil com a sensação de dever cumprido. Uma das únicas do mundo a competir em três categorias (moto, carro e caminhão), ela conseguiu terminar com todos os seus integrantes cruzando o pórtico de chegada em Lima, capital do Peru e local que marcou o fim da jornada de mais de 7.600 km desde Mar Del Plata, na Argentina, ao longo de 15 dias – 14 dedicados à competição.
O piloto de caminhão André Azevedo é o mais experiente do grupo e é o único remanescente da primeira turma que resolveu encarar o desafio de cruzar os desertos e savanas africanos, no longínquo ano de 1987, sobre uma motocicleta. “É importante ressaltar este Jubileu de Prata que estamos comemorando este ano, pois não é fácil conseguir manter a participação nesta prova, que é tão dura, ao longo de um período tão extenso e para nós, isso também é uma vitória”, destacou. “Além disso, nossa equipe teve um desempenho muito bom neste ano tão especial para nós. entre os caminhões, eu, o Maykel (Justo, navegador) e o Mira (Martinec, tcheco que é o responsável pelos instrumentos do caminhão) tivemos uma grande participação, embora no começo da corrida tenhamos pensado em desistir, devido aos problemas com a embreagem do nosso Tatra, que deu problemas no sistema de ar comprimido, o que nos obrigou a fazer toda uma Especial trocando as marchas somente no tempo e isso gerou uma tensão e um desgaste muito grande em todos nós”, revelou.

A equipe que pilotou o Tatra terminou o Dakar com o melhor resultado brasileiro na competição: o oitavo lugar na geral. Divulgação
Ele também fez questão de frisar a importância do trabalho desenvolvido pelo navegador Maykel Justo, principalmente quando chegaram nas dunas peruanas. “Enquanto as dunas chilenas são mais duras, no Peru estas se assemelhavam mais às dunas africanas, de areia mole e fofa e ali valeu muito a experiência de quem já tinha uma vivência na África e nesse sentido, o papel do Maykel foi muito importante para que conseguíssemos ir melhor nos trechos finais da prova e até mesmo, finalizar a penúltima etapa na segunda colocação, nos colocando como os melhores brasileiros na competição, com o oitavo lugar na classificação geral”.
A dupla Jean Azevedo e Bina Cavassini, que disputou a categoria carros, completou a prova na 23a posição, entre os 78 que terminaram a corrida, entretanto, ter ficado entre os Top 30 foi um feito que exigiu muita superação da equipe. “Houve um dia perto de Iquique, que estávamos descendo uma duna e acabamos colidindo com um BMW de uma equipe russa que estava parado no final dela, onde não conseguíamos ver por causa da inclinação do terreno. Na batida, quebrou a ponta do eixo do lado direito do nosso carro, isso por volta de 13h30 e o nosso caminhão T4, com peças, só foi chegar por volta das 20h30. Conseguimos sanar o problema à meia-noite e chegamos ao acampamento às 4h30, para largar às 6h, então, foi muito sofrido”, revelou Jean, que pilotou um carro pela segunda vez na prova.
Denísio Nascimento foi o representante do time entre as motos e em sua estreia, conseguiu chegar a Lima em uma honrosa 24a colocação, sendo o responsável pelo melhor resultado de uma moto Honda na competição. “Ter tido esta oportunidade de participar do Dakar pela primeira vez foi uma experiência fantástica. “No começo da prova eu sofri muito, pois larguei muito lá atrás e vim na poeira dos quadris por muito tempo e isso, por ser perigoso, gera muita tensão. Eu só me senti mais confortável quando comecei a andar entre os 30 primeiros e aí, andei mais tranquilo, mas ter participado desta prova, ensinou-me a valorizar muitas coisas simples, pois lá você passa muitas dificuldades e sente falta de muita coisa”, revela.










































