Depois de um longo hiáto, estou retomando as postagens sobre viagens e nos próximos artigos vou publicar detalhes da nossa primeira viagem pela América Latina realizada em AGO/SET de 2011, quando saímos da Baixada Santista (litoral de São Paulo) e percorremos um antigo caminho Inca até o litoral do Peru.
Saiba mais sobre esse trajeto incrível que poucos conhecem.
Quando a América do Sul começou a ser povoada em meados de 1.500 D.C., portugueses e espanhóis quando chegaram aqui, se depararam com vários caminhos mata adentro, que logo foram chamados de Caminho dos Índios. Tempos depois, com um maior contato com os gentis – como eram chamados os índios catequizáveis – nomeou-se Caminho do Peabiru.
Além de possuir mais de quatro mil quilômetros de extensão e centenas de ramais, uma característica marcante é que o Caminho do Peabiru possuía cerca de 1,40 m de largura, 40 cm de profundidade e era coberta por uma densa grama que impedia que o mato fechasse a trilha.
Desbravamentos sertões adentro, entre Missões e Bandeirantes, possibilitaram alguns anos mais tarde, a descoberta do Império INCA, Cuzco e sua ligação direta, através de um tronco principal com a cidade de São Vicente, no Litoral de São Paulo.
Este tronco principal, que saia de São Vicente e seguia pelo interior de São Paulo, hoje pode ser percorrido seguindo as Avenidas Jabaquara, Paulista e Rebouças, depois margeando o Rio Pinheiros e subindo o Rio Tietê até Itu.
De lá, descia para o Paraná, entrava no Paraguai, Bolívia e Peru até Cuzco, de onde seguia até o Pacífico na cidade de Chala – porto dos Incas.
Existem teorias que afirmam que os autores do início da construção deste caminho foram os Chavins (100 A.C – 800 D.C.) civilização antecessora aos INCAS, que posteriormente continuaram a expandir as trilhas na intenção de estender seu império (1.000 D.C.) – quinhentos anos antes da primeira caravela surgir no nosso horizonte.
Sustenta-se também que a estas trilhas expansionistas, ligaram-se aos caminhos criados pelos Índios Guaranis na sua busca da “Terra sem Mal”, um lugar paradisíaco onde não havia fome, doenças e nem a morte.
Esta terra poderia ser atingida seguindo a Via Láctea, avistada da Terra, por isso o Caminho do Peabiru foi construído seguindo um sentido diagonal (do interior para o litoral brasileiro) e não de Leste à Oeste ou Norte/Sul como a habitual orientação. Curiosamente os Incas seguiram para o mesmo lado.
Com o Brasil já descoberto, por volta de 1521, um português chamado Aleixo Garcia, após sofrer um naufrágio na altura de Santa Catarina foi capturado pelos índios Carijós, e contrariando as expectativas de ir para panela, caiu nas graças dos índios, se casou e montou uma expedição extra-oficial à Coroa de Portugal e seguiu o Caminho do Peabiru e descobriu o Império Inca cerca de noves anos antes dos espanhóis (1532) saqueando as Minas de Cierro Rico em Potosi – atualmente na Bolívia.
Teria sido gloriosa a sua volta com centenas de lingotes de ouro e prata, se não acabasse assassinado, fato este que não impediu que a notícia da descoberta se espalhasse rapidamente em toda a Europa.
Dentre outros motivos, este fez com que Martim Afonso de Souza viesse para o Brasil fundar a Vila de São Vicente em meados de 1530, época que nomeou Pero Lobo, responsável por uma tropa que tinha a missão de encontrar o “Rio da Prata”, no entanto, a tropa foi dizimada quando percorria o Peabiru.
Há quem atribua a chacina aos Guaranis, o que é pouco provável, pois se tratava de um povo curioso e receptivo aos colonizadores. Outros atribuem o ataque aos próprios Incas, que bem antes da chegada dos espanhóis e portugueses, transitavam por Santa Catarina e Litoral de São Paulo sondando o terreno para contatos comerciais e expansão territorial.
Aproveitando o bom trabalho feito, e centenas de ramais ligados ao tronco principal, povos indígenas do Paraguai e sul do Brasil, portugueses, espanhóis, paulistas e bandeirantes usaram tanto o Caminho do Peabiru para desbravar o continente e procurar ouro e prata, que logo surgiu o contrabando de especiarias, riquezas e afins.
Sabendo disso, Tomé de Souza, então Governador Geral do Brasil, sentenciou à morte, aquele que fosse pego andando pelo caminho nos idos anos de 1553.
Essa lei ficou em vigência por quase 30 anos e, mesmo depois de sofrer as transformações de trilhas para estradas, de aldeias às cidades, foi-se perdendo o caminho na memória e nas páginas da história.
Agora o Diário de Motocicleta, se propôs a um resgate histórico do Caminho do Peabiru e, aliado ao Moto Turismo, percorreu em 52 dias, mais de 13 mil km através de estradas que hoje cobrem o antigo caminho, passando e conhecendo muitas das cidades e países que se ergueram ao longo dos mais de 500 anos da descoberta do Peabiru, e que infelizmente não é abordado na grande maioria dos livros de história escolares.
Siga nossos relatos desta aventura!
Abraços,
GUGA DIAS
www.DIARIOdeMOTOCICLETA.com.br









































