Acompanhe! De BMW pelo Atacama – Dia 2

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Caros amigos da Pró Moto, diretamente de San Pedro do Atacama este repórter maltrapilho traz um resumo do que aconteceu nesta terça-feira aqui no norte do Chile.

Hoje o dia começou de forma atrapalhada, pois meu celular – o qual uso como despertador – acabou a bateria no meio da noite e fez com que eu acordasse faltando apenas dez minutos para a chegada do Juan, meu guia, aqui no hotel onde estou hospedado. Com isso, saí atrapalhadão, sem tomar café da manhã (peguei apenas umas bolachinhas e umas fatias e queijo e coloquei dentro de um guardanapo para comer depois).

E foi assim que rumei para a estrada, de barriga vazia, só que eu só descobri para onde estava indo quando o Juan comentou a altitude em que nos encontrávamos: 4.000 metros. Mas até aí, eu não estava sentindo nada durante a pilotagem, mas foi eu subir um barranco para obter um ângulo diferente para fazer umas fotos que percebi a besteira que havia cometido. Quando desci de lá parecia que havia acabado o oxigênio da Terra, afinal, juntou o jejum com o ar rarefeito. Aí já viu.

Bom, ainda bem que estávamos já ao lado do nosso primeiro destino, uma aldeia encravada no altiplano chileno onde vivem apenas umas 30 pessoas. Lá, comi duas empanadas de queijo e tomei um copo de chá de folha de coca, que ajuda a minimizar os efeitos da altitude. Eu estava tonto de tudo mas aos poucos foi passando, ficando só uma leve – mas incômoda dor de cabeça. Mas fiquei um bom tempo ainda meio estragado mas o que ajudava eram as paisagens locais; agora, na primavera, os mais altos cumes ainda estavam cobertos de gelo, que refletia os raios do sol e ampliavam a beleza das montanhas.

A imagem da Cordilheira e seus vulcões cobertos de neve é uma constante nesta parte do Atacama

Depois disso, nada que um pulo a uma terma a 3.500 metros, com um rio de água a 32 graus celsius não resolvesse. Saímos de lá refeitos e após uma bela salada de almoço, era hora de voltar à estrada, desta vez, tendo como guia o Joaquim (sócio do Juan na On Safari Atacama, empresa que organiza passeios pela região) e também, com o Sean, um norte-americano que mora no Chile há três anos – e que só de ver o cara sair com a moto dava para ver que ele pilotava tão bem uma moto, como eu uma nave espacial.

Um cânion cravado no meio do Atacama impressiona, assusta e convida para uma parada e reflexão

Mas foi divertido: conhecemos um cânion que jamais imaginei haver um tão grande na América do Sul, na sequência, visitamos um vale chamado de Arco-Íris, em função da variedade de cores presente em sua terra – na volta o Sean levou um tombinho besta devido a areia – e ainda antes de alcançarmos a rodovia, conhecemos um sítio arquelógico sensacional, pois além de guardar inscrições rupestres nas rochas que chegam a 13.000 anos, não existe nenhuma cerca te separando delas, nenhum vidro, nada. E tudo está intacto, como se ninguém jamais tivesse passado por lá. Enfim, educação.

Agora vou dormir que amanhã o dia será longo. Valeu!

 

André Ramos – Editor

Diretamente do Deserto de Atacama, Chile, a bordo de uma BMW GS 650, a convite da Apex Travel

 


Quem escreve

André Ramos é jornalista, formado pela Unesp/Bauru e trabalha com jornalismo motociclístico há 8 anos. Andre é editor da Revsta Pró Moto.