Acompanhe: de BMW pelo Atacama – dia 3

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Ontem foi um dia maravilhoso por aqui, pois até agora, foi o dia que mais andei de moto por aqui: foram em torno de 400 km, no qual circundamos todo o Salar de Atacama. O dia começou com estradas de cascalho sem fim, bem típicas de especiais de rali. Na companhia do Joaquin, meu guia neste dia, aceleramos muito nossas confiáveis G 650GS, chegando até mesmo a alcançar os 140 km/h. Percorremos mais de 100 km de uma velha estrada que servia antigamente como acesso ao uma mina de lítio mas com a construção de uma estrada mais moderna, esta, que fica cravada entre duas cordilheiras (Domeyko e de la Sal), acabou deixando de ser utilizada, vindo a apenas servir como um caminho de emergência pelos funcionários da companhia, já que, através dela, em caso de uma fuga, seriam gastas “apenas” duas horas para se chegar a San Pedro de Atacama.

Continuando nossa peregrinação pelo Salar, pegamos a estrada nova (asfaltada) ao longo de um trecho de mais ou menos outros 100 km até encontrarmos o caminho que nos conduziria até a aldeia de Tilomonte. Situada dentro de um oásis, a aldeia tem apenas uma única moradora, além de um peregrino que de vez em quando aparece por lá e fica algum tempo, para depois partir de novo em nova jornada. Neste lugar, tive a oportunidade de ter contato, de passar a mão mesmo, num desenho feito em uma árvore pelo conquistador espanhol Pedro Sanchez, que por ali passou em 1661. como se não bastassem as emoções da pilotagem do dia, ter este contato tão próximo com um legado histórico foi demais.

De lá, partimos para a vila de Peine, onde,  com muito custo, encontramos um lugar para almoçar – eu já estava até mole de fome. Depois de degustarmos bife, batatas-fritas, tomate e ovo frito, subimos até o clube local para tirarmos uma siesta, antes de voltarmos às motos. De lá, deixamos o planalto de sal rumo às lagoas altiplânicas de Miscanti e Miniques, um verdadeiro simulacro do paraíso na Terra.

Pilotar entre a neve remanescente do inverno a 4.200 metros de altitude foi uma experiência ímpar.

O lugar é lindo demais e ainda neste início de primavera, encontramos muita neve no alto de seus 4.200 metros de altitude. No caminho, sofri com o frio, pois estava somente com uma jaqueta corta-vento e para não diminuir o ritmo da expedição, somente fui colocar mais roupas depois que lá chegamos. Pelo caminho, os blocos de gelo derretendo pela estrada de terra davam-me uma medida da temperatura, que caía vertiginosamente. Lá em cima, com a colaboração do vento forte, deveria estar a cerca de cinco a sete graus celsius.

Depois de pela primeira vez na vida ter experimentado e vivenciado o contato com a neve, era hora de voltar para San Pedro, mas aqui a surpresa foi a chegada de nosso combustível na reserva.

A região das lagos altiplânicas reserva belezas que somente são reveladas a quem enfrenta seu frio

Como íamos brincando o tempo todo, acelerando, escorregando nas curvas da estrada, as motos consumiram mais que o esperado e no trecho final da viagem, percorremos cerca de 120 km com apenas 4 litros de gasolina; não passamos de 90 km/h.

Hoje, quinta-feira, dia 22-9, fiz um novo rolê, desta vez, mais leve, mas este é assunto para uma outra hora, pois agora vou dormir, que amanhã teremos uma nova puxada braba.

Curtam algumas imagens.

André Ramos viaja ao Chile a convite da Apex Travel (www.apextravel.com.br)

Quem escreve

André Ramos é jornalista, formado pela Unesp/Bauru e trabalha com jornalismo motociclístico há 8 anos. Andre é editor da Revsta Pró Moto.